quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dicas de revisão

Se você está escrevendo um artigo para uma revista, uma dissertação para a escola, um e-mail profissional ou mesmo se aventurando a escrever um livro, deixar seu texto livre de erros é essencial.
É aí que o revisor de texto entra.
Mesmo utilizando de corretores ortográficos, as vezes muita coisa passa batido e ele está longe de eliminar todos os problemas de um texto. 

É nessa hora que uma revisão minuciosa tem que ser procurada.
O trabalho do revisor de texto não é somente "dar uma lida rapidinho" ou ler o texto apenas uma vez. A revisão terá que ser feita em várias etapas. Isso quer dizer que, depois de revisado, o texto precisa ser revisitado outras vezes, isto é, deverá passar por um novo e minucioso processo de leitura, em outro dia, e ainda outro, até que finalmente fique pronto.

Vai aí algumas dicas para você que vai fazer sua primeira revisão:

1. Concentração é o Segredo
Se você está verificando a incidência de erros, então precisa de concentração máxima no que está fazendo. Isso significa livrar-se de qualquer tipo de distração e potenciais interrupções. Desligue o celular, televisão, rádio, música, e fique longe do seu e-mail e fique longe de redes sociais.

2. Coloque tudo no Papel
Pessoas leem de modo diferente na tela do computador e no papel, por isso mesmo, imprima uma cópia de rascunho para proceder a leitura. Se possível, leia em voz alta, seu ouvido pode perceber erros que seus olhos, guiados por um cérebro distraído por conhecer aquele conteúdo, deixariam facilmente escapar.

3. Fique de Olho nas Gírias e Expressões Chulas
As gírias são utilizadas, principalmente, em meios informais. Lembre-se que em textos acadêmicos não se pode usar de forma alguma, exceto em casos onde o texto exija o uso. O uso indiscriminado dessas expressões afetam a credibilidade do texto e lhe dão aparência vulgar. Um texto acadêmico ou jornalístico tem a característica de ser sério, então nenhuma gíria deve entrar.

4. Verifique a Pontuação
Prestar atenção às palavras é uma boa prática, mas nunca esqueça da pontuação. Atenção especial às palavras que iniciam com letras maiúsculas, o uso em excesso ou a ausência de vírgulas, parágrafos usados incorretamente, etc.

5. Peça para que Alguém Revise
Depois de checar todos os pontos já destacados, não esqueça de pedir a alguém que você confie para fazer uma revisão para você. Talvez fique surpreso com os erros que ainda passaram despercebidos, já que revisar um texto é de veras complexo. Eventualmente, ter uma segunda pessoa para verificar se as sentenças estão de acordo com o contexto pretendido, se fazem sentido ou não e se a coerência e a coesão estão certas, também deve ser uma opção a ser considerada.

E mais uma dica esperta para você, iniciante. Leia muito, bastante e todos os tipos de texto. Você nunca sabe qual o gênero que vai passar pela sua leitura.

Os tipos de cliente de um revisor de textos

A vida de um revisor quase nunca é um mar de rosas, mas para quem escolheu viver das palavras e frases a dica é levar os acontecimentos com muito bom humor.
Pensando nisso, o site Digestivo Cultural listou os tipos de clientes mais comuns que um revisor pode encontrar pelo caminho.
Então, papel e caneta na mão. Tome nota e se prepare para conhecer melhor o autor do seu texto e - de quebra - ainda dar boas gargalhadas. 

Let's go!

Mister/miss simpatia:
Tem um tipo de cliente que é bacana demais. Começa com uma abordagem correta, simpática, respeitosa. Entrega o trabalho para revisão dentro do prazo combinado. Desconsidera finais de semana e dá um prazo humanamente razoável ao revisor. Não enche o saco durante a revisão e termina pagando full, no dia da entrega. Se bobear, envia comprovante por Whatsapp. Esse é pra casar. Mas nem sempre é assim.

Cliente volátil:
Este começa bem e termina sem terminar. Aborda, pergunta, orça, envia trecho para a gente avaliar, combina prazo e, de repente, some. Dissolve no ar. Deixa a gente à beira do caminho, inclusive depois de ter recusado outro trampo por conta do compromisso. Como adivinhar?


Caloteiro:
Acredite se quiser, ele existe mas é raro. Este campo do livro, da revista, das teses e da revisão de textos não tem tanto cliente deste tipo. Em 20 anos de profissão, não passei nem duas vezes por esta agrura. Mas é preciso estar atento. Nem todo intelectual vai pagar. Imagina: você aceita o serviço, se mata de revisar, dia e noite, cumpre o prazo e o cara não paga. É dureza total.

Desconfiado dos infernos:
Este tipo é bem comum. Ele aborda o revisor, faz orçamento, envia trechos, combina prazos, não chora preço, é tudo muito razoável. Mas aí, quando você entrega o serviço ou alguma etapa, ele quer se sentar ao seu lado e receber explicações - e aulas aprofundadas - de cada mudança que você fez no texto. Tudo, tudo. E aí ele começa a desafiar você, traz a gramática que ele usou na sétima série, consulta sites no celular, discute a regra ou o padrão. Não acredita de jeito nenhum na sua competência 100%. E você precisa ser cortês, andar na linha, porque queimar o filme, nesta seara, é ficar sem serviço por um tempo.


Marty McFly:
Saudade de "De volta para o futuro"? De andar de Delorean? Então arranje um cliente como este. O cara - ou a fulana - chega junto, pede orçamento, combina tudo, ajeita o esquema com você, leva o serviço e paga. Mas aí, um mês depois, ela vem dizendo que ficou na dúvida, que a banca comentou e tal e que se você não pode "dar uma olhada de novo", isto é, ela volta do futuro ao passado e quer pagar uma vez só. Pois é. E dá-lhe cordialidade. É claro que se houver alguma falha mesmo, vale dar uma conferida. Mas e quando não?

Chorão:
Este cliente já dá pra prever. Cumpre o protocolo todinho de aproximação com o revisor. Normalmente, as pessoas chegam por indicação, querem seu serviço porque ouviram dizer algo positivo. É, de fato, uma profissão de confiança (tem gente que não prega um bilhete na geladeira sem consultar o revisor preferido). Mas daí começa a avacalhação: prazo apertado, correria total, revisão feita, entrega, gol. Na hora de resolver o orçamento, o cliente quer desconto, quer pagar menos, quer dividido em dez vezes. Eu já tenho resposta pronta para isso: meu prazo de recebimento é na mesma rapidez com que fiz a revisão. Os prazos apertados também demandam pagamentos a jato.

Desnecessário:
Abram alas, este tipo é meu preferido. Nem sempre ele fecha negócio, às vezes ele se confunde com o Desconfiado, mas não é. É melhor. Este é o autor/escritor que já sabe tudo. Ele liga e diz assim que eu não terei trabalho algum, que ele escreve muito bem, que sempre foi elogiadíssimo nas redações da escola, que está te ligando só porque a instituição exige, que nem precisava, mas que né... E você já sabe. É como se, salvando a proporção, você chegasse ao médico ou ao dentista já dizendo o dignóstico, o prognóstico e que o tratamento é uma grande bobagem. Revisor não mata ninguém, ainda bem. Daí você se ajoelha diante de tamanho talento, aceita fazer um serviço desnecessário e fica até culpado por cobrar a paga. Que honra, afinal.

Desgraçado sem cura:
Sem ironia, eu me enganei. O melhor de trabalhar é este. Geralmente, sem estereótipos, ele é da área de exatas. (Muito raro um cara de humanas dizer coisas assim... ou assumi-las, especialmente os do Direito). A figura liga, chega, orça e fica um tempão alertando a gente sobre quão péssimo o texto dele é. Diz que nunca soube escrever, que odeia Português, que se deu mal a vida toda, que não sabe como passou no vestibular, que não tem ideia de como conseguiu chegar ao fim da tese, que vou sofrer muito, que meu trabalho deve ser um inferno. Bom, o Saramago pescou isso no livro A história do cerco de Lisboa. O revisor é mesmo um coitado que lê coisas que não mereceriam ser lidas nem uma vez. Mas acontece muita alegria também.

Atrasadinho:
O cliente em foco tem problemas com o tempo. Já se aproxima dizendo que, pelo amor de Deus, só tem mais dois ou três dias. Tá. E eu? Que me dane, né? Tem uma tal de taxa de urgência que serve pra esses casos. Mas quem tem coragem de cobrar? Vamos lá. Negócios são negócios.


Compulsivo:
Este cara me enche mesmo a paciência. A gente explica pra ele que a revisão é a última etapa da edição. Escreve tudo, termina e só me entrega depois. Se você mexer no texto depois da revisão, eu não me responsabilizo, ok? Mas ele mexe. Ele não aguenta. Ele não está seguro. Ele quer escrever mais e melhor. E fica enviando novas versões enquanto eu trabalho. E me dá ódio renovado a cada versão que chega. Pô, vou ter de voltar? Repassar para o outro arquivo? Retrabalhar? Pois é. Alguém pare esse maluco!

Licenciado:
Mais um, mais um. O cara que tem licença poética para tudo. Qualquer maluquice que ele escrever será categorizada como "licença". Há quem seja até mais sofisticado e venha com o argumento do "neologismo", "produtividade linguística". #tamojunto, brô. Tem hora que não dá.


Revisor do revisor:
Mas desculpem se pareci arrogante. Ninguém é perfeito e o revisor não seria uma exceção. Revisores erram, revisores nem sempre são bons redatores (creiam!), revisores precisam de revisores. O bom é que quando a gente trabalha em uma área, tem sempre colegas de profissão. Aí a gente liga e diz assim: "Cara, dá uma olhadinha pra mim?". E tenta um escambo, para não ter de pagar. 

O que faz um revisor?

Toda vez que manda um texto para ser publicado, 
o autor se coloca nas mãos do revisor, 
esperando que seu parceiro não falhe” 
(Luis Fernando Veríssimo) 

Você sabe a importância que tem um revisor de texto? 

O objetivo da revisão é buscar melhorias no texto, por meio de intervenções e correções que respeitem as propostas e intenções de quem o escreveu. É por isso que essa profissão vai além dos conhecimentos ortográficos e gramaticais, pelo contrário, não se deve restringir à correção a isso, pois a coerência e adequação da língua ao gênero textual também deve ser analisada. Desse forma o revisor deve trabalhar em consonância com o autor para fazer com que o texto se torne mais claro, coerente e agradável aos olhos do leitor.

Essa interação entre as duas partes é necessária devido à familiaridade e proximidade que o autor tem com o seu próprio texto, isso faz com que ocorra lapsos ou equívocos que ele não consegue identificar após sucessivas leituras.

E quais são os tipos de revisão?

Existem quatros tipos de intervenções mais comuns durante o processo de revisão:

- Revisão resolutiva: O revisor intervém diretamente no texto, com a intenção de solucionar os problemas ali apresentados, tanto de conteúdo ou de ordem gramatical

- Indicativa: Nesse tipo são apresentadas as alterações propostas, deixando que o autor decida se vai acatar ou não as sugestões

- Interativa: Ocorre um diálogo com o produtor do texto. Normalmente são realizadas em situações nas quais é preciso uma maior reflexão e entendimento acerca de trechos do texto que tenham ficado obscuros. Essa interação entre os dois tem como objetivo encontrar o melhor resultado para aprimorar o que foi escrito. 

- Classificatória: É utilizada uma forma de classificação para destacar os diferentes tipos de inadequações.

O conhecimento das regras gramaticais e ortográficas e a constante pesquisa em dicionários e gramáticas, alinhadas a boa interação entre revisor e autor, são a chave para uma boa revisão.